Requião Filho busca apoio na esquerda, dissentes do centro e adversários do governo
O deputado estadual Requião Filho (PDT) quer ocupar o espaço de candidatura já estruturado na sucessão ao governo do Paraná, enquanto o grupo do governador Ratinho Junior (PSD) segue dividido e Sergio Moro (PL) tenta manter um favoritismo que, na avaliação pedetista, não resistirá ao confronto direto de campanha. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Rede Mercosul, ele combinou críticas ao governo, propostas econômicas e o desenho de alianças para tentar chegar ao segundo turno.
No centro do discurso, Requião Filho se apresenta como o nome que já está em campo, com adversários identificados, uma tese de projeto e uma frente política em construção. O plano passa por consolidar uma coalizão com a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), com a federação PSOL-Rede, com a federação Solidariedade-PRD, com o Avante e, ainda, atrair o PSB para indicar a candidatura a vice, cogitando inclusive o nome do senador Flávio Arns.
Ao analisar o cenário, o pedetista mirou em duas direções. De um lado, afirmou que Moro tem “recall do lavajatismo”, mas carrega um “extenso currículo de traições” e não suportaria um debate aprofundado de programa; de outro, descreveu o Palácio Iguaçu como um campo desorganizado, incapaz de definir o candidato do governador, enquanto o governo “queima pontes” e sua pré-candidatura tenta construí-las.
Requião Filho admite que não basta ter sobrenome, fazer oposição e invocar a memória dos governos anteriores; é preciso se tornar um polo de convergência. Por isso, trabalha para montar uma chapa que dialogue com a esquerda tradicional, com setores de centro e com partidos médios interessados em enfrentar, em condições competitivas, tanto o bloco governista quanto o bolsonarismo paranaense.
No conteúdo programático, o pedetista aposta em bandeiras de fácil compreensão pelo eleitor. A principal é a energia: ele criticou a privatização da Copel, acusou a companhia de cobrar caro e prestar um serviço pior, falou em possível reversão do processo e defendeu a estatal como instrumento de desenvolvimento, com energia mais barata para o agronegócio, a indústria e pequenos negócios.
Ele também procurou vincular sua imagem a uma agenda de produção e logística. Na entrevista, defendeu a ampliação de ferrovias, a criação de novos ramais, uma hidrovia no Oeste, contornos urbanos e obras viárias para desafogar o acesso a Paranaguá, argumentando que o Paraná cresce, mas a infraestrutura não acompanha e, sem logística, “a produção para na estrada”.
Na economia, o foco declarado é o pequeno empreendedor. Requião Filho disse que pretende zerar o ICMS das micro e pequenas empresas até 2033, sob o argumento de trocar imposto por emprego e de disputar diretamente o voto de quem trabalha, empreende e paga as contas no fim do mês, enfrentando a caricatura que a direita costuma atribuir à oposição.
Quando provocado sobre a polarização entre esquerda e direita, o pré-candidato preferiu deslocar a conversa para temas como energia, estradas, frete, escola e emprego. O movimento é apresentado como uma escolha de campanha: falar menos para a “bolha” e mais para o bolso do eleitor, para a produção e para a qualidade dos serviços públicos.
A grande incógnita está na amplitude da frente que ele tenta costurar. Se conseguir reunir a Federação Brasil da Esperança, a federação PSOL-Rede, a federação Solidariedade-PRD, o Avante e ainda atrair o PSB para a vice, Requião Filho deixará de ser apenas um nome competitivo da oposição para se tornar um candidato com lastro partidário, palanque robusto e tempo de TV suficiente para enfrentar duas máquinas: a do governo estadual e a do campo
Em síntese, o pedetista tenta convencer de que sua pré-candidatura reúne o que faltaria aos adversários: eixo, programa e rumo. Resta saber se essa promessa de ampla coalizão ganhará forma antes de o eleitor definir quem, de fato, tem condições de disputar o comando do Paraná.

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