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Terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Estudantes de Medicina são expulsos por nazismo

Faculdade particular no Paraná aplicou sanções após ataques contra bolsistas em aplicativo de troca de mensagens.

Por Redação Apauta Publicado em
Veja prints: alunos de Medicina no Paraná enviaram mensagens com referência ao nazismo para atacar estudantes bolsistas após eleição

Estudantes do curso de Medicina de uma faculdade particular localizada em Maringá, no Norte do Paraná, foram expulsos após realizarem ataques direcionados a bolsistas e compartilharem conteúdos com referências ao nazismo em um chat digital. As ofensas ocorreram após a conclusão do pleito presidencial de 2026, que sacramentou a reeleição de Lula.

Medidas disciplinares da instituição

A UniCesumar informou que aplicou punições severas no último sábado (31) com base no grau de envolvimento de cada participante. Além das expulsões definitivas, a administração acadêmica aplicou suspensões e advertências formais. A diretoria da faculdade optou por não divulgar o quantitativo exato de acadêmicos atingidos por cada tipo de sanção disciplinar.

Em nota oficial sobre o encerramento da apuração, a instituição declarou: “A UniCesumar comunica que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da Instituição. A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade. As medidas disciplinares foram: desligamentos do quadro discente da Instituição, advertências e suspensões, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada. A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. A Instituição repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito.”

Conteúdo das ofensas e investigação

A polêmica veio à tona após conversas trocadas em 25 de novembro em um grupo de turma. Na ocasião, um aluno inferiorizou colegas beneficiados por programas sociais:
“Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”, escreveu um outro estudante.

Além disso, o grupo foi utilizado para a difusão de símbolos e termos ligados ao nazismo, incluindo uma imagem da tropa militar do regime acompanhada da menção ao “leite cru”, jargão utilizado por coletivos virtuais extremistas voltados à defesa da supremacia branca. Diante dos fatos, discentes formalizaram uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF), que já investiga a conduta.

Posicionamento do Conselho Regional de Medicina

O caso também mobilizou o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), que classificou os atos como graves violações das normas profissionais. Em posicionamento oficial, a entidade destacou:
“Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza.
A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica.
O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes”.

Impacto no ambiente acadêmico

O clima interno na unidade de ensino sofreu forte abalo após a repercussão pública do escândalo. Um aluno relatou que tanto os autores das agressões quanto os alvos das mensagens deixaram de comparecer às aulas.
“É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres”, disse o estudante, que preferiu não ser identificado.

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