Profissionais da saúde viram réus por morte no PR

Um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) devido à morte de um menino de 4 anos em um hospital comunitário de Joaquim Távora, localizado no Norte do estado. O grupo é investigado pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, decorrente do falecimento da criança no dia 10 de junho por complicações de infecção por influenza tipo B.

Falhas na comunicação e exames negligenciados

O garoto deu entrada no Hospital Comunitário Dr. Lincoln Graça em 9 de junho apresentando febre e vômitos, quadro que exigia a realização de um teste para identificar influenza, procedimento que acabou não sendo executado. A investigação policial apontou falhas tanto na comunicação interna quanto no cumprimento de normas operacionais.

Enquanto o médico declarou ter adotado todas as medidas legais na recepção do paciente, familiares afirmam que houve apenas uma conversa à distância, sem que o profissional tocasse no menor. O pedido de exame para detectar o vírus foi registrado no sistema pelo médico, mas a equipe de enfermagem argumentou em depoimento que a rotina do local exigia avisos verbais — algo que não aconteceu, impedindo a triagem laboratorial adequada.

Agravamento do quadro e omissão de socorro

Por volta da meia-noite, as enfermeiras comunicaram ao médico que o paciente havia vomitado, resultando na prescrição de remédios por ligação telefônica. No entanto, os profissionais omitiram que a criança apresentava queda na saturação de oxigênio, atingindo 84%, índice considerado de alto risco.

O delegado Jean Paulo da Silva Brunhari detalhou que o menor permaneceu na unidade sem exames complementares, sem nova avaliação médica e sem transferência para uma UTI. “A família relatou que percebeu uma piora progressiva durante a madrugada, com agitação, dor, extremidade fria, coloração dos lábios, e solicitou que fosse trazido o médico para poder reavaliar. Mas essas solicitações da família não foram atendidas”, Brunhari explicou.

Pedidos do Ministério Público e posicionamento institucional

“Cada um dos denunciados, no âmbito de suas respectivas funções, deixou de adotar as providências necessárias e de prestar o devido acompanhamento contínuo ao paciente”, aponta a acusação formal do órgão ministerial.

Além da denúncia por homicídio culposo com agravante pela inobservância de regra técnica da profissão, o MP-PR solicitou que a Justiça determine o pagamento de indenização mínima para reparar os danos causados aos familiares. A administração do hospital informou que colabora com as autoridades, abriu sindicância interna e classificou o episódio como uma ocorrência isolada na trajetória dos funcionários citados.

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