Educadores do Paraná suspendem greve após avanços, mas mantêm estado de alerta e mobilização
Pato Branco e região participaram ativamente da pressão que forçou o governo a abrir mesas de negociação; nova assembleia pode ser convocada caso promessas não sejam cumpridas.
Após uma semana de intensa mobilização em todo o estado, os profissionais da educação pública do Paraná decidiram, em assembleia extraordinária on-line realizada na manhã deste sábado (21), suspender o início da greve que estava previsto para a próxima segunda-feira (23). A decisão, porém, não significa desmobilização: a categoria aprovou o estado de greve, mantendo a pressão sobre o governador Ratinho Júnior para garantir que os avanços nas negociações se transformem em projetos de lei.
No sudoeste, o Núcleo Sindical da APP-Sindicato de Pato Branco teve papel fundamental nesse processo. A presidenta local, professora Diuliana Baratto, destacou o trabalho de base realizado nos 14 municípios da região. Dirigentes e representantes percorreram as escolas, dialogaram com a comunidade escolar, professores(as), funcionários(as) e levaram a pauta de reivindicações a vereadores e deputados da base governista.
“Foi um movimento de corpo a corpo e também digital, ocupando as redes sociais da SEED e das autoridades do Estado. Essa vigília constante e o diálogo com o legislativo foram cruciais para o cenário que temos hoje”, relatou Diuliana.
O que mudou nas negociações? A mudança de rumo ocorreu porque a pressão surtiu efeito imediato. De acordo com a presidenta estadual da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, o governo sinalizou a instalação de mesas de negociação e se comprometeu a encaminhar propostas sobre os itens centrais da pauta salarial para a Assembleia Legislativa (ALEP) até o dia 4 de abril. “Arrancamos do governo a confirmação de que as propostas serão enviadas para votação em breve. É um avanço importante, fruto de uma luta intensa por justiça salarial. Suspendemos a paralisação agora para dar espaço às tratativas, mas o estado de greve permanece porque o conteúdo oficial do que o governo vai anunciar ainda está sendo finalizado”, explicou Walkiria.
A trégua é estratégica e condicionada. A diretoria do sindicato tem autorização para convocar uma nova assembleia a qualquer momento caso o Palácio Iguaçu recue nas promessas feitas. Para a próxima segunda (23) e terça-feira (24), está mantida a vigília e mobilização por Justiça Salarial na ALEP, em Curitiba, a partir das 13h. Além disso, novas rodadas de conversa com a Casa Civil estão agendadas para a próxima semana para ajustar os detalhes técnicos das reivindicações de professores(as) e funcionários(as) de escola. Pontos principais da decisão: * Greve suspensa: As aulas começam normalmente na segunda-feira (23). * Estado de Greve: A categoria continua em assembleia permanente e mobilizada. * Prazo decisivo: O governo tem até 4 de abril para enviar os projetos à ALEP. * Vigília mantida: Atos presenciais continuam na capital e também no interior, para acompanhar a movimentação dos deputados e cobrar que ajudem a pressionar o governador Ratinho Júnior para atender o cômputo das reivindicações da categoria.

Deixe uma resposta