Cantor Netinho, ícone da axé music e dono do hit “Milla”, morre aos 60 anos na Bahia

Um dos principais nomes da axé music brasileira, Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático há mais de um ano.

Segundo sua assessoria, ele tratava um linfoma não Hodgkin de células B, que evoluiu, nos últimos meses, para insuficiência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Por desejo do próprio cantor, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, com a presença de familiares e amigos próximos.

Carreira marcada por sucessos

Netinho conquistou o público com músicas que se tornaram clássicos do axé, como “Beijo na Boca”, “Fim de Semana” e “Milla”, considerada sua canção mais emblemática e um dos grandes símbolos do gênero musical.

O diagnóstico de câncer foi divulgado em 22 de março de 2025, após uma internação no Hospital Aliança Star, na capital baiana. Na ocasião, ele procurou atendimento médico devido a fortes dores nas pernas. Durante o tratamento, compartilhou informações sobre seu estado de saúde e a evolução do quadro nas redes sociais.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966, mudou-se com a família para Salvador aos 10 anos. Foi na capital que desenvolveu sua paixão pela música. Aos 14, ganhou o primeiro violão da mãe e, aos 16, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal).

Na juventude, conciliava os estudos com apresentações em escolas. Mais tarde, passou a cantar profissionalmente em bares, interpretando canções da música popular brasileira (MPB) e da bossa nova.

Em 1988, estreou como vocalista da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, ganhou projeção nacional com “Beijo na Boca”, seguida por outros sucessos, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida É Festa”.

A carreira solo começou em 1993 e alcançou um dos momentos mais importantes três anos depois, com o lançamento de “Milla”. A música impulsionou sua popularidade em todo o país e contribuiu para levar a axé music a públicos internacionais, com apresentações em países como Itália e Chile.

Além dos palcos, Netinho também investiu no mercado musical. No Rio de Janeiro, abriu um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Também criou um selo dedicado ao lançamento de novos talentos da Bahia.

Entre 1997 e 2003, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade.

Vida pessoal e desafios de saúde

Em 2010, o artista falou publicamente sobre sua bissexualidade. Dois anos depois, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, afirmou que preferia não se prolongar sobre o assunto.

Em 2013, sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram diversas complicações, incluindo problemas na voz, seu principal instrumento de trabalho. Em razão da recuperação, ficou quatro anos afastado das apresentações no Carnaval de Salvador.

Entrada na política e posicionamento público

Nas eleições de 2022, Netinho disputou uma vaga de deputado federal pelo Partido Liberal (PL). Com cerca de 31 mil votos, não conseguiu se eleger e ficou como suplente da legenda.

O cantor também ganhou notoriedade por seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2021, participou de ao menos uma manifestação favorável ao então presidente, posicionamento que provocou críticas e repercussão pública.

Com uma trajetória que uniu grandes sucessos populares, apresentações internacionais e participação na consolidação da axé music, Netinho deixou sua contribuição para a história da música brasileira.

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