Professores da rede municipal aprovam estado de greve
O Sindicato dos Professores Municipais de Palmas aprovou, em assembleia realizada nesta quinta-feira (9), o estado de greve da categoria, em meio a impasses nas negociações com o município sobre o reajuste salarial anual e a atualização do plano de carreira, considerado defasado. O assessor jurídico do sindicato, Ronilson Vincensi, explicou que o estado de greve funciona como um alerta ao poder público e à população, sinalizando que uma paralisação pode ser deflagrada a qualquer momento.
De acordo com Vincensi, a principal insatisfação no momento é o projeto de lei enviado pela Prefeitura, que prevê reajuste de 2,5%, percentual que, segundo o sindicato, fica abaixo da inflação. Outro ponto central é a necessidade de reformulação do plano de carreira do magistério municipal, em vigor há cerca de 20 anos e que, na avaliação da entidade, já não reflete a realidade atual da profissão.
O assessor jurídico relatou ainda que a administração tem argumentado que o município estaria próximo do limite fiscal, o que impediria um aumento maior ou mudanças mais amplas no plano de carreira, interpretação que é contestada pelo sindicato com base em análise própria e em parecer de assessoria econômica. Mesmo assim, os professores, segundo Vincensi, demonstraram disposição para o diálogo, inclusive admitindo a possibilidade de parcelar o reajuste, desde que o índice global seja mais elevado.
O sindicato informou que a Prefeitura seria oficialmente notificada da decisão ainda nesta sexta-feira (10) e que, a partir daí, pretende intensificar as conversas com os vereadores, buscando apoio do Legislativo para intermediar as negociações. Na entrevista, Vincensi também destacou problemas como adoecimento em sala de aula e desvalorização profissional, fatores que, segundo ele, agravam a dificuldade de preencher vagas no município.
Conforme o assessor, o município já convocou todos os aprovados no último concurso, recorreu a horas extras e a contratações via PSS, mas, mesmo assim, não conseguiu suprir integralmente a demanda. “Está se perdendo o objetivo de querer ser professor hoje. O município tem sofrido para preencher as vagas e isso é muito preocupante”, resumiu.